Dia de relembrar conquistas, mas sem esquecer que a luta continua

Quarta, 20 de Novembro de 2019 - 17:52

Kauê Ribeiro dos Santos (13 anos), Agatha Félix (8) e Kauan Peixoto (12).Estes são apenas alguns nomes de jovens negros assassinados neste ano. Para marcar o Dia da Consciência Negra, comemorado nessa quarta-feira (20), foi realizada a XIV Marcha da Consciência Negra de Guarulhos, que neste ano teve como tema “Vidas Negras Importam: Tod@s contra o genocídio e o feminicídio! Parem de nos matar!” A marcha faz parte do calendário de atividades do Novembro Negro na cidade.

O ato, que teve a sua concentração iniciada às 11h no Marco da Consciência Negra, percorreu as principais ruas centrais da cidade e reuniu dezenas de pessoas que empunharam cartazes com os nomes e idades dos jovens negros assassinados.

O gestor da Subsecretaria da Igualdade Racial, Anderson Guimarães, destaca que o 20 de Novembro é uma data especial, de comemoração das muitas vitórias que aconteceram até aqui, mas também um dia que se denuncia vários abusos, erros de construção histórica que garantem que as desigualdades se estabeleçam. “Temos aqui todos os movimentos sociais juntos, todos unidos em uma única causa, que é denunciar a morte da juventude, por isso estamos mostrando as crianças assassinadas neste ano: já passam de 20 jovens negros”, alerta Guimarães.

O presidente da subseção Guarulhos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Eduardo Ferrari, ressaltou que esta é uma data de suma importância, não somente para lembrar o passado, mas também para que as pessoas evoluam. “Todo prejuízo causado no passado jamais vai ser reparado, entretanto, a data tem que ser lembrada, eternizada e valorizada”, pontua Ferrari.

Um dos discursos foi o de lembrar que atos como esses mostram que todos são iguais, que as necessidades são as mesmas. O 20 de Novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, é importantíssimo para a comunidade negra. Ele simboliza um marco: é quando as pessoas param para refletir sobre a intolerância e a discriminação que não podem mais ser escondidas.

A marcha teve a presença da presidente doConselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial(Compir), Mãe Claudia de Oyá, que explicou que o papel do conselho no evento é ressaltar a importância da matriz africana na resistência. “Porque não há somente negros e brancos; há brasileiros, seres humanos. Todos nós somos irmãos e há somente um Deus e o caminho para chegar até ele são vários”.

A atriz e cantora Céllia Nascimento conta que participa da Marcha há mais de dez anos e se alegra em ver que todas as pessoas que estão participando são comprometidas com essa história. “Sei da minha responsabilidade, mas é necessário que cada um traga para si a sua responsabilidade. Sabemos do nosso lugar de fala, de representatividade, da nossa importância como ser humano e como gente preta. Esse é o dia para mostrar claramente que estamos vivos”, afirma Céllia.

Imagens: Fabio Nunes Teixeira/PMG